História da língua húngara
História da língua húngara
A família fino-ugriana
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A língua húngara
Uma das características da língua húngara é que não está relacionada com as línguas dos países vizinhos. Por exemplo, se você viajar da Croácia à Sérvia, você vai dizer nos dois países: "Dobro jutro" (Bom dia). Os eslovenos também dizem "Dobro jutro". Na Eslováquia, você escuta "Dobré ráno". Em outro país vizinho da Hungria, na Ucrânia, você fala "Доброго ранку. - Dobroho ranku". Todas essas expressões soam o mesmo ou mais ou menos semelhantes, porque todas estas línguas pertencem à mesma família: às línguas eslavas. Na Hungria, ao contrário, você irá dizer "Jó reggelt!". Completamente diferente. De fato, a língua húngara pertence a uma família muito diferente: à família das línguas urálicas.
A família das línguas urálicas vem - como o nome sugere - a partir da área dos Montes Urais, e daí também se suspeita a raiz de todas as línguas no chamado Proto-Urálico, que existiu a mais de 7.000 anos atrás. Hoje, essas línguas têm se diferenciado em dois grupos. O grupo minoritário (com muitas línguas só que composto por comunidades muito pequenas de falantes), da família linguística samoieda, como por exemplo as línguas dos Nenets ou Selkup. Estas línguas ameaçadas de extinção são faladas na Sibéria.
Na Sibéria existe também duas línguas estreitamente relacionadas com o húngaro (que também pertence ao segundo grupo, o grupo majoritário das línguas urálicas): as línguas mansi e ostíaca. A este grupo chamamos também de línguas fino-úgricas. A este grupo pertencem também o finlandês e o estoniano.
Talvez você esteja se perguntando, se um húngaro, um finlandês e um estoniano poderiam se entender ao se sentarem juntos à mesa? Pois bem, o finlandês e o estoniano poderiam até se comunicarem, se cada um falar na sua língua materna. Mas os húngaros não entenderiam nada. Por quê? Porque já se passaarm 7.000 anos de história da língua e a distância física às outras línguas fino-úgricas fez com que o húngaro se desenvolvesse completamente diferente do que o finlandês e o estoniano. O que une as três línguas, com uma família de línguas, é a estrutura linguística (ou seja, semelhanças ao nível da gramática, no "funcionamento" das línguas). Todas as três línguas têm uma estrutura de língua aglutinante. O húngaro - uma língua aglutinante
Para aprender e entender húngaro, você deve antes de tudo, aprender o que é uma língua aglutinante. A palavra aglutinação vem do latim e significa colar, juntar. O princípio central deste tipo de estrutura linguística é o sufixo. Um sufixo é uma sílaba final que é adicionada a uma palavra, podendo assim mudar o seu significado, ampliá-la ou especificá-la.
Este princípio fica claro através de um exemplo: Vamos pegar a palavra húngara: asztal (mesa). Se você quiser colocar essa palavra no plural, coloca-se o sufixo -ok como indicador do plural: asztalok (as mesas). Mas se você quer dizer que algo está em cima da mesa, fala-se asztalon em húngaro.
FINO-UGRIANO
Grupo Ugriano
Húngaro: 13 milhões de falantes
Khanty (“ostyak”): 9600 falantes
Mansi: 940 falantes
Grupo Samoiedo: nganasan, enets, yurats†, nenets, selkup, kamas †, mator †
Grupo Fino-Pérmico
Pérmico: komi, udmurt (“votyak”)
Fino-volgaico
Volga-fínico
Mari (“cheremisse”)
Mordvínico: erzya, moksha, meshcheriano†
Fino-lápico
Fínico: finlandês, carélio, lúdico, vepse, íngrio, vótico, estoniano, võro, seto, livônio
Sami: sami ocidental e oriental
Numerais
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Comparação mansi/húngaro
Mansi
ˈxuːrəm neː ˈwitnəl ˈxuːlpəl xus xuːl ˈpuːɣi
Húngaro
Három nő a vízből hálóval húsz halat fog.
“Três mulheres estão pegando da água vinte peixes com uma rede”
“Um peixe vivo está nadando sob a água”
HÚNGARO: Eleven hal úszik a víz alatt.
FINLANDÊS: Elävä kala ui veden alla.
ESTONIANO: Elav kala ujub vee all.
Casos:
Sami setentrional: 7 casos
Finlandês: 15 casos
Húngaro: 18 casos
Veps: 24 casos
Komi: 27 casos
LINGUISTAS
SÉCULO XVII
Martin Vogel: semelhanças entre finlandês e húngaro
Georg Stiernhielm: semelhanças entre lapão, estoniano e finlandês
SÉCULO XVIII
Olof Rudbeck: cem etimologias comuns entre húngaro e finlandês (1717)
Johann Georg von Eckhardt: descobre semelhanças com o samoiedo (1717).
János Sajnovics: estabelece relações entre húngaro e lapão em Demonstratio idioma Hungarorum et Lapporum idem esse (1770).
Sámuel Gyarmathi: precursor da gramática histórico-comparativa, estabelece relações detalhadas entre línguas fino-ugrianas na sua obra Affinitas linguae hungaricae cum linguis fennicae originis grammatice demonstrata (1799).
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Número relativo de falantes das linguas fino-ugrianas
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Húngaro víz “água”
Finlandês vesi, estoniano vesi, võro vesi, erzya ved’, mari wüt, komi va, udmurt vu, mansi wit, samoiedo jiɁ (proto-urálico *weti)
Húngaro jég “gelo”
Finlandês jää, estoniano jää, võro ijä, sami jïenge/ jieknga/ ïngng, erzya ej, mari i, komi ji, udmurt jë, mansi jaank, khanty jenk (proto-urálico *jängi)
Húngaro hal “peixe”
Finlandês kala, estoniano kala, võro kala, sami gûelie/ guolli/ kyeli/ küll’, erzya kal, mari kol, mansi xuul, khanty xul/kul, samoiedo xalja (proto-urálico *kala)
Húngaro fészek “ninho”
Finlandês pesä, estoniano pesa, võro pesä, sami biesie/beassi/peesi/piess’, erzya pize, mari pëzhash, komi poz, udmurt puz, mansi pitji, khanty pel, samoiedo pjidja (proto-urálico *pesä)
FORMAÇÃO DA LÍNGUA HÚNGARA
Separação do tronco ugriano por volta do século X a.C.
Contato com persas, turcos, eslavos, latim e alemão
tehén “vaca” < avéstico dhaénu
tíz “dez” < avéstico dasa
tej “leite” < persa dáje
decalques:
kizár “excluir” < ki+zár como latim excludere, alemão ausschliessen.
orrsazrvú “rinoceronte” < orr+szarv, como latim rhinoceros < gr
víziló “hipopótamo” < víz+ló, como latim hippopotamus < gr
SZÉKELY-MAGYAR ÍRÁS
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Primeiros testemunhos escritos século X d.C. na antiga escrita húngara (alfabeto de origem sogdiana, via turco antigo), retomada em 1915. Ainda em uso em Székely.
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Adoção da escrita latina século XI d.C.
(1055) feheruuaru rea meneh hodu utu rea
Húngaro moderno: Fehérvárra menő hadiútra,
‘para a estrada militar que conduz a Fehérvár’
(1190) Halotti beszéd és könyörgés “sermão funeral e oração”
Primeiro livro impresso em 1533: Az Szent Pál levelei magyar nyelven “cartas de São Paulo na língua húngara”
Características do antigo húngaro: posposições utu rea > útra, mais tempos verbais (seis, em vez de dois).
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